Encontro dos Quilombos: evento discute a representatividade de negros na política
O evento reuniu representantes de Comunidades Quilombolas, como do Carvão, Torrão do Matapi, São Francisco do Matapi e Curiaú

O Encontro dos Quilombos, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), por meio da Escola Judiciária Eleitoral (EJE-AP), neste sábado, 2, foi estruturado a partir de diálogos prévios com os representantes das comunidades sobre temas relevantes relacionados a educação, racismo e principalmente o acesso de pessoas negras a cargos eletivos.
O evento iniciou com uma palestra, ministrada pelo professor, Pós-Doutor, Elivaldo Serrão, vice-líder do Grupo de Pesquisa Educação, Inter-culturalidade e Relações Étnico-raciais. O estudioso abordou a ‘representatividade negra na educação: conquistas e desafios’.
Os ex-deputados Paulo José Ramos e Cristina Almeida fizeram uma exposição sobre as dificuldades enfrentadas pelos parlamentares negros para legislar nas Assembleias e Câmaras no Brasil. Paulo José foi o primeiro negro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa amapaense. Cristina Almeida também foi a primeira mulher negra eleita vereadora e posteriormente Deputada estadual no Amapá.
"Todo projeto que parte de um parlamentar negro, dentro de uma Assembleia Legislativa branca tem problemas. É preciso esforço para fazê-los entender que aquela iniciativa é de um parlamentar que tem uma relação com a história do negro e essas iniciativas que irão beneficiar essas comunidades encontram uma ressonância negativa”, explica Paulo José, sobre as barreiras no exercício do mandato.
“O racismo no parlamento se manifesta com a não aprovação das nossas leis que venham a eliminar qualquer tipo de preconceito. Então, as nossas dificuldades não encerram quando chegamos ao mandato”, acrescenta Cristina Almeida.
Uma roda de conversa, mediada pelo diretor da Escola Judiciaria Eleitoral, juiz Paulo Madeira, reunindo representantes das comunidades quilombolas do Carvão, Torrão do Matapi, São Francisco do Matapi e Curiaú encerrou a programação com a exposição das principais dificuldades vividas dentro das comunidades e os obstáculos para alcançar cargos eletivos.
O presidente do TRE Amapá, desembargador João Lages, falou da importância de trazer o assunto para o debate público. Lages ressaltou que a Justiça Eleitoral amapaense tem aberto espaço para as discussões da representatividade não somente de negros na política, mas de mulheres, indígenas e outros grupos minoritários.
“Esse é o nosso compromisso, nós esperamos que todos esses debates e todas as ideias possam se reverter em cobranças e políticas adequadas de inclusão para todos esses grupos. Estamos às vésperas de um pleito, quem sabe não irão sair dessas comunidades quilombolas aqui reunidas representantes para a próxima eleição”, conclui.