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Protagonismo feminino: mesárias indígenas atuam nas seções eleitorais da Aldeia Aramirã
Janara Waiãpi e Sunaira Waiãpi participaram dos trabalhos eleitorais no segundo turno das Eleições 2026
As Eleições Gerais de 2026 na Aldeia Aramirã também foram marcadas pelo protagonismo feminino e pela participação de mulheres indígenas nos trabalhos da Justiça Eleitoral. Janara Waiãpi, mesária da seção eleitoral 32, e Sunaira Waiãpi, mesária da seção 26, atuaram no atendimento aos eleitores durante o segundo turno, realizado em 25 de outubro.
Além de contribuírem para a organização e o funcionamento das seções eleitorais, as duas jovens desempenharam um papel importante na comunicação com a comunidade. Por pertencerem ao povo Wajãpi, elas puderam facilitar o diálogo com eleitores que enfrentam dificuldades para compreender o português, tornando o atendimento mais acessível e próximo da realidade local.
Para Sunaira Waiãpi, que exerceu a função de mesária pela primeira vez nestas eleições, a experiência representou uma oportunidade de contribuir diretamente para o processo democrático. Ela explicou que as atribuições exigem atenção e responsabilidade, especialmente na conferência dos documentos e na habilitação dos eleitores para votar.
“Acho que é importante nossa função porque a gente habilita o voto, vê a documentação dos eleitores e ajuda os outros mesários”, afirmou.
A jovem também destacou que o treinamento oferecido pela Justiça Eleitoral contribuiu para que se sentisse mais segura durante os trabalhos. Em setembro de 2026, oito indígenas da Aldeia Aramirã receberam orientações para atuar como mesários, com instruções sobre identificação dos eleitores, habilitação para o voto e procedimentos de funcionamento das seções eleitorais.
Língua e cultura fortalecem o atendimento
Janara Waiãpi ressaltou que a presença de mesárias indígenas da própria comunidade facilita a comunicação com os eleitores, especialmente com aqueles que têm pouco domínio da língua portuguesa. Para ela, poder orientar os moradores na língua Wajãpi contribui para que compreendam melhor os procedimentos necessários para votar.
“Alguns eleitores indígenas Wajãpi têm dificuldade com o português, e falar na própria língua ajuda muito. Essa tradução do português para a língua deles facilita a compreensão”, explicou.
Segundo Janara, a votação transcorreu normalmente, sem grandes filas ou atrasos, resultado também da organização dos mesários e do trabalho realizado nas seções eleitorais.
A participação das duas jovens também representa um marco para a comunidade. Janara destacou a importância de mais mulheres ocuparem esse espaço, contribuindo para ampliar a presença feminina.
Para as duas mesárias, a experiência demonstra como a participação de mulheres indígenas fortalece o envolvimento da comunidade no processo democrático e contribui para uma Justiça Eleitoral mais acessível, inclusiva e respeitosa às diferenças culturais.