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Voto indígena: cerca de 500 eleitores garantiram o voto em aldeia Wajãpi
1° turno das Eleições 2026 registrou votação expressiva nas seções da Aldeia Aramirã, no Amapá
Durante o dia 4 de outubro, 1° turno das Eleições 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) colocou em prática o planejamento de dois anos de trabalho: garantir uma votação segura, acessível e democrática para mais de 500 eleitores e eleitoras aptos do povo Wajãpi, dentro da Aldeia Aramirã, a 197 km do município de Pedra Branca do Amapari, Estado do Amapá.

A Escola Indígena Estadual Aramirã é o local de votação da 11ª Zona Eleitoral do Amapá, que abrange os municípios de Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio. Segundo o Boletim de Urna (BU) das urnas eletrônicas das seções 26 e 32, ao todo, receberam 499 votos. Confira os números:
Seção 26
Eleitores aptos: 299
Eleitores que compareceram: 254
Eleitores faltosos: 45
Seção 32
Eleitores aptos: 301
Eleitores que compareceram: 245
Eleitores faltosos: 56
Ao todo, no local de votação da Aldeia Aramirã existem 597 eleitores aptos. Na seção 32, originariamente existem 298 eleitores, porém, 3 eleitores temporários exerceram o voto na localidade. Desta forma, estes eleitores puderam votar em um local diferente de sua seção de origem, sem alterar seu domicílio eleitoral definitivo.

1° turno de votação na aldeia
Com a presença dos representantes da Mesa Receptora de Votos (MRV), mesários, juiz eleitoral, técnico de transmissão, foram montadas as duas seções eleitorais e deram início a votação às 8h do domingo, 4.
“Realizamos o 1° turno das Eleições Gerais com sucesso na aldeia Aramirã. O pleito ocorreu de forma íntegra, sendo preservado o direito de todos os eleitores. A Justiça Eleitoral traz mais cidadania em um processo que começa lá atrás: com cadastramento, reconhecimento de direitos, organização de infraestrutura e logística”, informou o juiz auxiliar, Mateus Pavão, designado para atuar na Aldeia Aramirã pelo TRE-AP.
Até as 17:23 da tarde, foi finalizada a votação e emitidos os Boletins de Urna (BU) das duas seções de Aramirã. A seção 26 foi a primeira a encerrar a votação às 17:03.

O Povo Wajãpi, assim como outras etnias de povos originários do Brasil, possui características e costumes de centenas de anos que foram se aperfeiçoando com a modernização e contato com as demais pessoas da sociedade.
Durante a eleição do 1° turno, diversos indígenas, ao votar, são acompanhados por crianças, familiares ou pessoas de confiança para exercer o voto. A cultura se dá por motivos como maior confiança na hora do voto e ajuda aos que não falam ou leem em português.
Ao final da votação, os Wajãpi aguardam a impressão do Boletim de Urna e, em conjunto, realizam a leitura dos votos para saber quais candidatos receberam mais votos naquelas seções.

Acessibilidade aos Povos Originários
Em Aramirã, Karota Wajãpi foi coordenadora de acessibilidade das seções da aldeia. A indígena é colaborada da Justiça Eleitoral e atua no Cartório de Pedra Branca do Amapari.
“Eu gostei muito de trabalhar junto com a comunidade. Consegui trabalhar com os meus parentes e a família. Assim eu consigo aprender mais com os eleitores”, declarou a coordenadora.

A colaboradora indígena fez um trabalho essencial durante a votação: traduzia informações do português para a língua Wajãpi, auxiliava eleitores sobre procedimentos e facilitou o acesso a urna eletrônica e ao voto para os eleitores indígenas.
Prioridades por lei respeitadas
Desde o primeiro horário em que a votação foi iniciada, foi respeitada a ordenação das filas por indígenas com prioridade como mães com bebês de colo, grávidas, idosos e idosas, indígenas com deficiência ou mobilidade reduzida.

As filas eram organizadas pelos mesários Wajãpi e o acesso à língua nativa facilitou o trabalho e agilizou o tempo de espera nas filas. Desta forma, a eleição ocorreu em tempo hábil das 8h às 17h, sem estender por muito tempo após o horário de fechamento da seção.
